"Tenho apenas duas mãos, e o sentimento do mundo" (Carlos Drummond de Andrade)





sábado, 29 de janeiro de 2011

Não estou bem, mas quem se importa?

Ando meio triste, meio auto-destrutiva. As vezes fico bem, e melhoro um pouco. Mas sempre volto a ficare triste, sempre. Esse começo de ano tem acabado comigo. Têm muita coisa passando aqui dentro sabe? Muitos sentimentos, muito medo, muita tristeza, muita solidão. Estou carente, e isso esta na cara. Não carente de homem, mas sim, carente de atenção, de afeto.
É verão, e o sol está parecendo um ovo frito de tão estalado que está. É ferias, e todos estão viajando. Menos eu, que insisto em fazer a mesma coisa todo dia por falta de opção. Acordar, chorar, dormir. Acordar, chorar, dormir. As vezes para dar uma mudada, dou uma volta com minha cachorra no quarteirão. Mas logo ela cansa e eu volto á minha casa, eu comigo mesma.
Diga-me, o que aconteceu comigo? Depois que tirei o infeliz da cabeça as coisas só tem piorado, fiquei mais sensível, fiquei mais ferida. Não tenho mais em quem pensar, não tenho ninguém pra cuidar, ninguém pra conversar. Aí por não ter o que pensar, me vem a cabeça lembranças que a tempos me proibi de lembrar, e isso simplesmente acaba comigo.
Eu quero alguém. Qualquer um que me escute, que me abrace. Eu quero alguém, alguém que passe a mão nos meus cabelos, que me deite no colo, que converse comigo, que me cuide. Eu faria isso por qualquer um que precisasse, mas porque na minha vez não tem ninguém?
Eu quero gritar pra todo mundo ouvir: "Eu não estou bem, da pra alguém me ajudar?"
Tem coisa mais auto-destrutiva do que você mesma acabar com você? Remoer suas emoções? E acima de tudo, tem coisa mais auto-destrutiva do que falar sozinha por não tem ninguém pra conversar?
Aí eu escrevo. Aah a escrita me fascina! Ela tira os meus medos, tira as minhas angustias.A única razão pra eu escrever, é compartilhar meu sentimento com pessoas que estão sentindo a mesma coisa que eu. É me identificar, me auto-ajudar. Mas nestes dias tão pesados de janeiro não têm adiantado muita coisa escrever.
Ninguém tem culpa disso não. A culpa é absolutamente minha.

Não estou bem, mas quem se importa?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Eu espero, e um dia chega.

Esses dias estava eu conversando com um amigo, e no meio da conversa ele me disse:

- Sabia que você fala com os olhos? Tudo que você sente está aí, no fundo deles. E eles me dão medo. Parecem gritar, parecem querer dizer algo.
- Hum, pode até ser. Eles são complexos, dizem sem querer tudo o que quero.
- Até nisso você é sincera.
- Neles estão os nossos sentimentos como você mesmo disse. Olhar, encarar fundo, tentar mostrar, é o jeito mais sincero de falar. Porque você não diz nada, e as pessoas interpretam como querem. Como exemplo: O que você acha que meus olhos querem te dizer?
- Não sei, mas agora eles estão longe e sem brilho.
- Viu? É isso. Eu não disse nada e você disse tudo. As pessoas que olham nos olhos falam a verdade. Já percebeu sempre que alguém vai mentir, elas nunca nos encara?
- Já sim. Você sempre me olha nos olhos.
- Eu não minto.
- Então responda: cadê você e seus olhos brilhantes?

Encarei-o e disse:

- Essa é fácil. Estão vindo com toda felicidade do mundo, já que chega. Cá entre nós, eu estava péssima, eu estava um caos. Mais já eu melhoro, minha vida está querendo, precisando, procurando felicidade. Amanha, semana que vêm, mês que vêm, não sei quando chega. Mas já que chega, eu sei que chega.
- Você me encarou, e seus olhos brilharam. Acho que chegou eim?
- É, as vezes eles brilham, mas é passageiro. O que eu quero é ser feliz para sempre.
- Se você quer, assim vai ser. Senhora dos olhos brilhantes.
- Aah, é assim que sempre quero me sentir. Me abraça?

Ele abriu os braços e disse:

- Sempre que precisar.

Baixinho, em plena alegria, envolvida nos braços de meu amigo, pensei: "O que eu seria sem meus amigos?"

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nesse dia, te esqueçi, pra sempre.

Estava frio. Uma noite dessas que o melhor a se fazer é se enfiar em baixo de um cobertor e dormir sabe? Tentei isso, mas juro que não consegui. Muita coisa me incomodava, eu não estava bem. No canto da parede era até bonito de se ver a lenha virando fogo, e depois virando fumaça, deixando na sala um calor gostoso que parecia me abraçar.
Sentei em volta da lareira, e resolvi fazer algo que há muito tempo me atenta. Acho que nunca fiz por falta de tempo, por preguiça e talvez lá no fundo, falta de coragem também. Peguei lápis, e um papel rabiscado que estava em cima da cômoda. Comecei a enumerar alguns problemas urgentes:

" 1 - Que tire de mim essa vontade de querer demais, de querer dar voz ao que penso.
2 - Que tire de mim a solidão, a grande responsável por todos os meus males.
3 - Que fique tudo bem, e que eu tenha fé.
4 - Que tire... "

Não. Não ousei tocar no nome dele, ou se quer escrever o que pensei. Mas pensando bem achei que seria melhor tocar no nome dele sim, ele seria o ultimo item da lista. Sei lá, ele merecia estar no ultimo lugar da lista, não só dela, mas de tudo. Continuei...

"4 - Que tire ele de mim. Que ele suma da minha vida. Que tire ele de mim!"

Peguei algumas de nossas fotos que continuavam do modo como a tempos você tinha deixado jogadas dentro da gaveta. Rasguei-as e juntei-as ao bilhete. Sem dó, ou tristeza, joguei na lareira. Explodiu, explodi, explodimos. Sumiu, acabou. Superei, pelo menos por enquanto.
Levantei, e dei uma ultima olhada naquilo. O fogo consumia o papel, engolia, sugava. Pensei em tirar o papel dali e guardá-los de novo na gaveta. Pensei melhor, ele não merece isso. Resolvi então por sair dali. Tenho mais o que fazer.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Um assunto para pensar.

Acho que tudo que vêm em nossa vida e permanece certo tempo, tem alguma função exercida sobre nós. Tudo que vêm naturalmente, sem pressão nenhuma, veio nos ensinar alguma coisa.
As pessoas do meio em que vivo, vivem me perguntando: Por que isso está acontecendo comigo? O que eu faço? Porque sofrer assim?
E eu não tenho o que falar, nunca sei o que dizer para melhorar a situação, nunca! E isso me faz um mal danado. Me dói, simplesmente me dói. Porque é uma coisa tão simples, tão fácil de resolver, e as pessoas não conseguem ver isso. Elas não conseguem parar um minuto se quer de suas vidas, para pensar o porque disso estar acontecendo.
Acho que já pensei muito sobre o assunto, e encaro meus problemas como coisa da vida, como coisa natural. É claro que na hora me da uma vontade danada de sumir, e esquecer tudo. Mas depois eu paro e penso: "Se eu não pedi para acontecer isso, se veio naturalmente, tem que ter algum sentido." E fico horas e horas pensando sobre o tal sentido, mas nunca acho uma resposta, nunca! Aí vem o tempo fazer sua parte, e o que eu faço é esperar.
É incrível como não fazer nada é tão produtivo, e ninguém percebe isso! Ao fazer nada, o tempo faz a parte dele e as coisas vão se ajeitando, sem pressão, sem pressa para acontecer. E o melhor de tudo é que no final você sempre - sem exceção- sempre você aprende alguma coisa. Acho que os problemas estão ai para isso, para nos mostrar o que é certo e o que é errado. Para nos mostrar que nós não devemos nos preocupar demais com eles, porque eles simplesmente dão seu jeito. Eles existem para nos mostrar que nada é por acaso. É tudo questão de pensar.
Mas as pessoas nunca entendem meu raciocínio, nunca. Então toda vez que me pedem ajuda ou conselhos, eu nunca tenho o que dizer...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Passou, passou, passou.

Repito três vezes para ter certeza de que entendi: Passou, passou, passou. Tá, eu sei que passou. Aliás, não faz muito tempo mas eu sei que passou e que estou perfeitamente bem.
Levanto com certa preguiça e repito várias vezes comigo: Passou, passou, passou.
Ando de um lado para o outro, com a ideia fixa nas três palavras: Passou, passou, passou.
Toca o telefone. Do outro lado da linha me perguntas: Como está? E eu digo: Passou, passou, passou. O telefone fica mudo, e toca de novo. Ai vem a parte que sempre acaba com meu dia:

- O que passou?
- Você sabe
- Não sei. Explica-me?
- Ah, [ Passou o meu amor por você, e isso é mais triste do que eu esperava. Passou o carinho, a admiração. Passou as lembranças, aliás, essas não passaram, desapareceram mesmo. Passou a vontade de te querer olhar nos olhos, passou a saudade, as lágrimas. Passou até a raiva se quer saber, passou a angustia, o desespero. Passou tudo. E bem que me disseram que o fim é um caos e que sempre só resta o nojo. Sim, nojo, repugnância, ânsia. É difícil dizer, mais como tudo na vida passa, você também passou.] Sabe como é, as coisas passam... Eu ainda continuo odiando o telefone... tchau.

Desligo o telefone e saio dali com um sorriso forçado no rosto. Penso novamente em tudo. Ai, como eu não queria ter sentimentos! Como já diziam: O ser humano detesta a dor, mas tem uma fortíssima atração por ela.
Sento e repito: Passou, passou, passou.

sábado, 15 de janeiro de 2011


Sempre que possível, converse com um saco de cimento. Nessa vida só devemos acreditar naquilo que um dia pode ser concreto. (Bob Esponja) *-*

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Apenas felicidade.


Fiz tudo que sempre fiz, nada fora do normal. Podia ser tristeza, solidão, carência, ou qualquer outro sentimento que tomou meu tempo durante esses meses, mas não era. Era felicidade. E eu não entendi nada. Eu fiz a mesma coisa durante meses, como pode mudar assim de um dia para o outro?
Acordei com a cabeça pesada, tomei um banho bem gelado, peguei uma xícara de café quentinho e sentei. Estranho, eu não estava com mau humor igual a todas as manhas.
Ainda pensando que era coisa passageira, fui dar uma olhada no celular na esperança de ter algo novo que me animasse. Merda. Estava cheio de mensagens, e eu ao invés de apagar ou nem ler como sempre fazia, li todas e respondi com a maior calma. E até me animei, pelo menos tem gente nesse mundo que lembra que eu existo.
Troquei de roupa. Pensei em sair, mas estava chovendo. Pensei em ler, e contei. Tenho 15 livros para ler. Tentei escolher um que me parecesse legal, mais hoje, nesse dia, nenhum livro me pareceu legal. Talvez eu só não estivesse com vontade de ler, de pensar.
Peguei minha cachorra, e deitei em minha cama. Ela estava fedendo, também não é pra menos depois to tanto de chuva que tomou enquanto brincava na água. E eu ao invés de levá-la para casinha dela passei minha mão sobre sua cabeça, e continuei ali durante horas. Eu estava com uma vontade imensa de sentir, de viver, de ficar ali o resto da vida.
E depois de tanto chover, saiu um sol lindo. Abri a janela do meu quarto, e olhei meu coqueiro. Ele estava lindo, como nunca esteve. Todo verdinho, todo lindo. Eu fiquei encantada com aquilo.
Ai pensei: "Tenho que ser assim todos os dias, sofrer daquele jeito é muita falta de tempo. Pra que ser triste, se ser feliz é bem melhor?" E apartir daí, o verão chuvoso ficou mais lindo, mais limpo, mais gostoso, com um ar mais puro. E eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. E o melhor, não precisei de ninguém para me sentir assim, só de mim mesma!